Operação “Testa de Ferro” bloqueia quase R$ 5 milhões e prende dois homens por lavagem de dinheiro em Macapá

A investigação aponta esquema de facção do RJ que usava loja de motopeças de Macapá como fachada para movimentar dinheiro ilícito.

Ney Pantaleão
5 Min Read

Um suposto empresário bem relacionado no meio político e esportivo de Macapá, recém-chegado da cidade de Santarém, no Pará, foi alvo de uma operação policial que resultou no bloqueio e apreensão de quase R$ 5 milhões nesta sexta-feira (18/9) em Macapá. A ação, batizada de “Testa de Ferro”, foi deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco) da Polícia Civil, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, e mira um esquema de lavagem de dinheiro operado por uma facção criminosa do Rio de Janeiro com atuação no Amapá.

Operação "Testa de Ferro" bloqueia quase R$ 5 milhões e prende dois homens por lavagem de dinheiro em Macapá

A operação é desdobramento da Operação “Red Fall”, deflagrada em maio de 2025, que revelou a existência de empresas de fachada usadas para movimentar recursos ilícitos. O monitoramento contínuo de uma dessas firmas permitiu aos investigadores identificar a entrada de valores suspeitos e uma série de saques em agências bancárias de Macapá, o que fundamentou os pedidos de busca, apreensão e bloqueio de bens deferidos pelo juiz Matias Pires Neto, titular do Gabinete 01 da Central de Garantias, do Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap).

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Muito dinheiro apreendido
Durante as diligências, as equipes apreenderam cerca de R$ 2 milhões em dinheiro vivo, dois veículos – uma Sw4 e um T-Cross – que, segundo a investigação, eram usados no transporte do dinheiro, além de uma arma de fogo. De acordo com o delegado titular da Draco, Estéfano Santos, as cédulas eram transportadas em embarcações que saiam de Santarém com destino ao Amapá, escondidas no fundo de caixotes identificados com adesivos de uma loja de peças para motocicletas e cobertas por capas de chuva.

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Segundo a polícia, o uso dos caixotes e dos adesivos fazia parte da estratégia para dar aparência de uma carga comercial comum e dificultar a fiscalização. Além do dinheiro encontrado em espécie, a Justiça determinou o sequestro de outros R$ 3 milhões que estavam depositados em contas bancárias ligadas aos investigados.

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Dois supostos empresários sem passagens anteriores pela polícia foram presos em flagrante. Um deles é investigado por realizar as retiradas financeiras e o outro por guardar o dinheiro. Um dos alvos foi identificado como Luís Felipe Amorim Ferreira (foto abaixo), 32 anos, proprietário da Mega Norte Distribuidora, com sede em Santarém, da Distribuidora Nova União e sócio administrador da Mega Motos, em Macapá. Ele também é presidente do Rio Norte Futebol Clube, time que conquistou o título da Série B do futebol amapaense. Os policiais estiveram na casa dele no condomínio de alto padrão Villa Bella Residence Club, na Rodovia Duca Serra, no bairro Marabaixo, Zona Oeste de Macapá.

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A Polícia Civil relatou que as investigações continuam para mapear a rota completa dos recursos e identificar eventuais outros envolvidos no esquema. Não há confirmação, até a publicação desta reportagem, de que o dinheiro apreendido teria relação com campanhas eleitorais, financiamento de candidaturas ou práticas de boca de urna. Essa possibilidade não foi descartada, mas também não há indícios confirmados nesse sentido.

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Quem são so presos?
O perfil de Luís Felipe Amorim chama atenção dos investigadores. Uma fonte ouvida pelo Portal NP diz que o preso é “bem apresentado, tem boa comunicação e trânsito no meio político com presença no futebol local”. São características que, segundo a linha de investigação policial, podem facilitar contatos, abrir portas e aproximar alguém de diferentes grupos. A polícia apura se ele teria atuado como uma espécie de “testa de ferro”, expressão usada para definir quem empresta o nome ou a imagem para esconder negócios ou atividades de terceiros. Até o momento, a investigação segue em andamento e as circunstâncias ainda estão sendo apuradas.

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Já Caio César dos Santos Pereira aparece com frequência em academias, eventos e baladas, além de publicar fotos ao lado de políticos. A presença constante nesses ambientes e os contatos registrados nas redes sociais também passaram a fazer parte do levantamento feito pelos investigadores.

O Portal NP tenta contato com a defesa dos presos em flagrante para obter um posicionamento sobre o caso, mas não conseguiu retorno até o momento. Caso haja manifestação, o conteúdo será atualizado para incluir a versão da defesa.

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