A reta final da campanha para a Câmara dos Deputados tem um movimento claro nas pesquisas de intenção de voto: a candidata Aline Gurgel ocupando a segunda colocação nos levantamentos mais recentes e registra crescimento contínuo em todos os municípios do estado. O avanço, segundo a coordenação de campanha, reflete uma combinação de trabalho realizado ao longo do mandato e propostas voltadas a públicos que historicamente têm dificuldade de acesso a políticas públicas — em especial pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias.

Um dos principais argumentos da campanha de Aline é seu histórico de atuação. Ela é apontada como responsável pela construção e equipagem da Casa da Mulher Brasileira no Amapá, espaço de atendimento humanizado que reúne, em um único local, serviços para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar — com atendimento psicológico, jurídico, social e de saúde. A candidata também destaca sua proximidade com os municípios do interior e o conhecimento sobre a destinação de recursos federais para o estado como diferenciais de sua trajetória política.

As propostas voltadas ao público com TEA e outras deficiências têm sido o maior impulsionador da campanha, segundo a coordenação. A primeira delas é a Carreta “Conexão TEA+”, inspirada em um programa de atendimento itinerante já lançado no Amapá, que levaria equipes multidisciplinares — como neuropediatras, psicólogos e terapeutas — até as regiões mais distantes do estado para agilizar laudos e planos terapêuticos para famílias de baixa renda. A segunda proposta é chamada de “Cidade dos Autistas”, um complexo que reuniria centros de reabilitação, áreas de estímulo precoce, oficinas de qualificação e suporte psicológico para cuidadores em um único espaço. Detalhes sobre viabilidade, localização e financiamento dessas propostas não foram informados.
A terceira frente é o programa “Apoio às Mães Atípicas”, voltado à saúde mental e ao suporte financeiro e orientacional para mães e responsáveis que dedicam tempo integral ao cuidado de pessoas com neurodivergências. A campanha apresenta as três iniciativas como resposta a gargalos históricos do sistema público de saúde no Amapá, onde o acesso a diagnósticos e tratamentos especializados para pessoas com TEA é limitado, especialmente no interior do estado.
Com a segunda posição consolidada nas amostragens, a coordenação de campanha de Aline projeta intensificar agendas de rua, caminhadas e encontros comunitários nos principais polos populacionais do Amapá nos dias que restam até a eleição. O objetivo declarado é converter a visibilidade construída ao longo da campanha em votos efetivos no dia primeiro de outubro. Aline concorre pelo União Brasil, mesmo partido da candidata ao Senado Alliny Serrão e do pré-candidato ao governo Clécio Luís.
A disputa pela Câmara dos Deputados no Amapá é historicamente fragmentada, com dezenas de candidatos e votos pulverizados entre muitos nomes. O estado elege oito deputados federais, e a definição de quem conquista uma vaga depende tanto do desempenho individual quanto do resultado do quociente eleitoral dos partidos e coligações. Mesmo candidatos bem posicionados nas pesquisas podem não se eleger se o partido não atingir o patamar mínimo de votos exigido pela legislação.