O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Davi Alcolumbre se encontraram pela terceira vez em poucas semanas. O último encontro aconteceu ontem, sexta-feira (14/08) e confirma uma reaproximação entre os dois que vai além da política nacional. Ela tem endereço certo: o desenvolvimento do Amapá.
Uma das conversas em curso é a possibilidade de Lula vir a Macapá para apoiar publicamente Clécio Luís, que busca reeleição ao governo pelo União Brasil. O presidente também pode gravar material para o horário eleitoral do candidato. Nenhuma das duas ações foi confirmada oficialmente até o fechamento desta reportagem.

Clécio Luís é o candidato dos grupos de Alcolumbre e Randolfe Rodrigues — líder do governo Lula no Congresso —, que também busca reeleição ao Senado pela mesma coligação. O nome escolhido para vice na chapa é Teles Júnior. A aliança reúne União Brasil, PDT, MDB, PP, PT, PCdoB e PV.
Do outro lado, o ex–prefeito da capital, Antônio Furlan, afastado pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito de uma operação da Polícia Federal que investiga fraude em licitação, pagamento de propinas, entre outros delitos na saúde pública municipal, aparece bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto. Sua coligação envolve PSD, Podemos e Novo, com apoio do PL e do bolsonarismo. Furlan, no entanto, tem preferido não colocar a figura de Flávio Bolsonaro no centro da campanha, optando por um discurso voltado a temas estaduais e se distanciando das disputas ideológicas nacionais.

De um lado, uma aliança que tenta unir o lulismo com a base local de Alcolumbre e Randolfe. Do outro, um candidato que aposta na força eleitoral do bolsonarismo sem abraçá-lo abertamente. As pesquisas ainda não permitem prever o resultado e o quadro pode mudar conforme as definições nacionais avançam.

A aproximação entre Lula e Alcolumbre sinaliza que o governo federal pode ter interesse direto na disputa amapaense e que o senador, por sua vez, consolida seu protagonismo político no estado com o apoio presidencial. A parceria entre os dois, se concretizada nas urnas, pode redesenhar o mapa de poder no Amapá para os próximos quatro anos.
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