A dupla flagrada com mais de R$ 2 milhões em dinheiro vivo escondido no porta–malas de um veículo teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada no sábado (19/9), pelo juiz Normandes Antônio de Sousa, do Plantão Único do 1º Grau. Os nomes dos presos não haviam sido divulgados oficialmente. Mas, o Portal NP, apurou que os dois são Luís Felipe Amorim Ferreira e Caio Cesar Santos Pereira, apontados como principais alvos da Operação “Testa de Ferro”, deflagrada pela Polícia Civil, com apoio do Ministério Público, na sexta-feira (18/9).
Detalhes sobre a prisão
Os policiais foram até o condomínio Villa Bella Residence Club, no bairro Marabaixo, e abordaram Luís Felipe na rua. Questionado sobre a existência de dinheiro em espécie, ele mesmo entregou aos agentes uma sacola preta com cerca de R$ 50 mil. Em seguida, indicou que havia mais dinheiro nos veículos estacionados. No porta–malas de uma caminhonete Toyota Hilux, os policiais encontraram três caixas de papelão identificadas com adesivos de uma loja de moto peças. No fundo das caixas, embaixo de capas de chuva para motociclistas, estava o restante: R$ 2 milhões em notas. O acondicionamento foi filmado e o vídeo integra os autos do processo. No total, foram apreendidos R$ 2.050 milhões em espécie com Luís Felipe, além de uma arma de fogo de uso permitido com dez munições e carregador, aparelhos eletrônicos, máquinas de cartão e cadernos.

O segundo preso, Caio Cesar Santos Pereira, foi abordado ao sair do condomínio onde mora Luís Felipe. Ele é apontado como sócio de fato — em proporção de 50%, conforme declarou a polícia — e sócio–administrador da empresa da Gran Ciclo Empreendimentos Ltda., empresa apontada pelos investigadores como fachada usada para movimentar o dinheiro. Na residência de Caio, no bairro Muca, os policiais encontraram cadernos com anotações, cartões de crédito, documentos e um estojo de arma da marca Taurus — sem arma ou munição. Com ele, foram apreendidos apenas R$ 890,00 em dinheiro. Ambos exerceram o direito ao silêncio durante os interrogatórios.

Gran Ciclo chama a atenção
Segundo análise de Relatórios de Inteligência Financeira juntados ao processo, a empresa movimentou entre fevereiro e julho de 2026 quase R$ 5,7 milhões — sendo R$ 2,85 milhões a crédito e R$ 2,87 milhões a débito —, valor muito acima do faturamento médio mensal declarado de R$ 87 mil. Mais da metade dessa movimentação se concentrou em julho. O endereço cadastrado da empresa corresponde a um imóvel abandonado, sem atividade comercial.
A conta, segundo a polícia, foi usada como “passagem”, pulverizando recursos via Pix: R$ 322 mil em 101 transferências para Luís Felipe, R$ 275 mil para uma pessoa física sem vínculo aparente com a empresa e R$ 244 mil para uma empresa cuja matriz havia recebido valores de investigado na Operação Red Fall — ação anterior que deu origem a este caso. Foram também solicitados três saques milionários em espécie — de R$ 3 milhões, R$ 1,2 milhão e R$ 1,5 milhão — com justificativa de “compra de gado agronegócio”, atividade estranha ao objeto social da empresa.

Presos na penitenciária
Na audiência de custódia, o Ministério Público pediu a conversão da prisão em preventiva. A defesa pediu liberdade provisória com medidas cautelares. O juiz converteu os flagrantes em prisão preventiva. Na decisão, o magistrado destacou que Luís Felipe consta na lista restritiva da Caixa Econômica Federal por suspeita de envolvimento em fraudes, tem bloqueios judiciais por execução fiscal e declarou renda mensal de R$ 350 mil — parte dela informal —, sem conseguir justificar a razão de manter mais de dois milhões em espécie escondidos em veículo registrado em nome de terceiro. O juiz também apontou risco de fuga, já que Luís Felipe é natural de Santarém, onde mantém empresas e endereço cadastral. O alvo é presidente do Rio Norte Futebol Clube, campeão da Série B do futebol amapaense.

Facção do RJ com braço no AP
A investigação é desdobramento da Operação Red Fall, de maio de 2025, que busca desarticular o braço operacional de uma grande facção criminosa oriunda do Rio de Janeira com atuação no Amapá e segue em curso para mapear outros envolvidos e a rota completa dos recursos. O processo corre sob segredo de justiça, conforme determinação judicial. As defesas de Luís Felipe e Caio não se manifestaram publicamente sobre as prisões até o fechamento desta reportagem.
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