Polícia prende tenente da PM e guardas municipais acusados de tráfico de armas no AP

Investigação da DRACO aponta participação de membros da segurança pública em esquema de venda clandestina de armas e munições no Amapá.

Ney Pantaleão
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O que começou com a apreensão de um celular durante uma investigação sobre a venda ilegal de armas acabou revelando, segundo a Polícia Civil, uma suposta rede estruturada de negociação clandestina de armamentos no Amapá. Com base nas provas reunidas, a Justiça decretou a prisão preventiva de um tenente da Polícia Militar e de outro investigado, além de autorizar buscas, apreensões e outras medidas cautelares contra os envolvidos.

A decisão é do juiz Matias Pires Neto, da Central de Garantias do Tribunal de Justiça do Amapá, após representação do delegado Estéfano da Silva Santos, titular da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO). O processo tramita sob sigilo de justiça e apura, em tese, crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, associação criminosa e fraude processual.

A polícia não divulgou os nomes nem as imagens dos alvos da operação. No entanto, o Portal Ney Pantaleão obteve, com exclusividade, acesso à decisão judicial que fundamentou as prisões.

Celular apreendido revela esquema
Segundo a decisão, a investigação teve início após a análise do celular de Rogério Almeida dos Reis, conhecido como “Rogério Marreteiro”, apreendido em dezembro de 2025 durante outra operação policial. A extração dos dados teria revelado uma rede de negociação de armas envolvendo agentes públicos e intermediadores.

De acordo com a Polícia Civil, o primeiro-tenente da PM, Aloísio França da Silva Júnior, é apontado como um dos principais fornecedores de armas e munições do grupo. Já Rodrigo Barros Fernandes teria atuado como intermediador, responsável por buscar compradores e facilitar a revenda dos armamentos. As investigações indicam que as negociações utilizavam linguagem codificada e se estendiam por vários anos, com registros de conversas entre 2015 e 2025.

Guardas envolvidos
Outro investigado é o guarda civil municipal Claudinei Mendes de Oliveira. De acordo com a investigação, ele teria vendido ilegalmente uma pistola registrada em seu nome e, posteriormente, comunicado falsamente à polícia que havia perdido a arma, numa tentativa de ocultar a negociação. José Walter de Andrade Júnior também aparece na investigação como possível facilitador das negociações por sua proximidade com o guarda municipal.

Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que há elementos suficientes para decretar a prisão preventiva de Aloísio França e Rodrigo Barros. Na decisão, o juiz afirma que a suposta organização apresentava elevado grau de sofisticação e que a permanência dos dois em liberdade poderia comprometer a investigação, facilitar a destruição de provas e permitir a continuidade das atividades criminosas.

Em relação a Claudinei Mendes de Oliveira e José Walter de Andrade Júnior, a Justiça determinou medidas cautelares. Eles estão proibidos de manter contato com os demais investigados, não poderão deixar o município de Macapá sem autorização judicial e deverão utilizar tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 180 dias, após a deflagração da operação policial.

Busca e apreensão
Além das prisões e das medidas cautelares, o juiz autorizou mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados aos investigados. A decisão também permite a apreensão de armas, munições, celulares, computadores, documentos, equipamentos de monitoramento por câmeras e outros materiais considerados relevantes para o avanço das investigações, incluindo a extração de dados armazenados nos dispositivos eletrônicos.

Na decisão, o magistrado destacou que a investigação aponta uma estrutura organizada voltada ao abastecimento do mercado clandestino de armas e ressaltou que a participação de agentes da segurança pública, se confirmada ao longo do processo, representa um agravante por comprometer a confiança da sociedade nas instituições responsáveis pela proteção da população.

Os investigados ainda serão submetidos ao devido processo legal. As acusações são baseadas nos elementos reunidos durante a investigação e deverão ser analisadas ao longo da ação penal, assegurando-se a todos o direito ao contraditório e à ampla defesa.

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