Ex-estagiário da Procuradoria Jurídica da CEA recebia propina para cancelar dívidas de energia elétrica

Ele foi condenado em um dos processos, mas recorre da decisão em liberdade. O ex-estagiário responde a outras ações penais relacionadas a crimes de estelionato e à falsificação de ordens judiciais para cancelar dívidas.

Ney Pantaleão
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Um homem de 35 anos que atuava como estagiário na Procuradoria Jurídica da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) foi denunciado pelo Ministério Público (MP) pelos crimes de estelionato, uso de documentos falsos e falsificação de documento público. Segundo a denúncia, ele inseriu dados falsos no sistema informatizado da empresa para excluir pagamentos de contas de energia elétrica em troca de propina.

ESQUEMA CRIMINOSO
De acordo com as investigações, no dia 3 de setembro de 2020, o ex-estagiário, identificado como Ciro Ariel Souza de Andrade, teria utilizado o e-mail corporativo de um assessor jurídico da CEA para enviar ao Setor de Combate às Perdas uma decisão judicial falsa.

Ex-estagiário da Procuradoria Jurídica da CEA recebia propina para cancelar dívidas de energia elétrica

A documentação continha a logomarca do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) e linguagem própria da magistratura, solicitando o cancelamento de uma fatura de mais de R$ 51 mil. A conta era referente à unidade consumidora de um famoso hotel localizado à margem esquerda do Rio Araguari, no município de Ferreira Gomes.

Segundo as investigações, o estagiário pediu ao empresário do hotel o pagamento de R$ 14 mil para “agilizar” o cancelamento da dívida. O empresário confirmou à Polícia Civil que pagou uma entrada de R$ 7 mil para dar início ao esquema criminoso.

QUASE 20 FRAUDES INVESTIGADAS
Além desse episódio, as apurações da Polícia Civil e do Ministério Público indicam que Ciro Andrade teria falsificado aproximadamente 20 decisões judiciais semelhantes, resultando em um prejuízo estimado em quase R$ 300 mil.

Ex-estagiário da Procuradoria Jurídica da CEA recebia propina para cancelar dívidas de energia elétrica

Uma sindicância interna da CEA revelou que o e-mail do ex-estagiário continha 19 ordens judiciais falsas, reforçando as provas contra ele. Ciro já foi condenado em um dos processos, mas recorre da decisão em liberdade. Ele também responde a outras ações penais, todas relacionadas a crimes de estelionato e à falsificação de ordens judiciais para cancelar dívidas.

INVESTIGAÇÕES EM CURSO
O Ministério Público e a Polícia Civil continuam apurando as atividades ilícitas que envolvem o nome de Ciro Andrade, que teria se aproveitado do acesso ao sistema da CEA para estruturar o esquema criminoso. A companhia também reforçou os procedimentos de segurança interna para evitar novos casos de fraudes.

Ex-estagiário da Procuradoria Jurídica da CEA recebia propina para cancelar dívidas de energia elétrica

O Portal Ney Pantaleão tenta contato com a defesa do acusado e mantém o espaço aberto para futuras manifestações ou esclarecimentos.

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