Uma operação da Polícia Federal realizada nesta quarta-feira (15) terminou com a prisão de empresários ligados à empresa Mediall Brasil, investigados por suspeita de desvio de recursos públicos na área da saúde. Um dos alvos, que estava foragido, foi localizado e preso em Macapá.

As ações fazem parte de duas investigações simultâneas, a Operação Makot Mitzrayim e a Operação Rio Vermelho, conduzidas pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União. Ao todo, foram cumpridos 50 mandados judiciais, incluindo buscas e prisões em vários estados, como Goiás, Tocantins, Maranhão, São Paulo e o Distrito Federal.
Preso em Macapá
Logo nas primeiras horas do dia, três empresários foram presos em Goiás. No fim da tarde, a PF confirmou a captura de Roberto Leandro de Carvalho Garcia, apontado como um dos principais envolvidos no esquema. Ele foi encontrado em Macapá após ser considerado foragido ao longo do dia.

IBGH em Macapá
Segundo as investigações, Roberto atuou como diretor operacional do Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH) e depois se manteve como sócio da Mediall Brasil. A apuração indica que ele participou diretamente da divisão de lucros obtidos com contratos suspeitos.
Além dele, também foram presos os empresários Hilton Tinaldo Salles Piccelli, Rudson Teodoro da Silva e Otávio Guimarães Favoreto. Todos passaram por audiência de custódia em Goiás e tiveram as prisões mantidas pela Justiça.
As investigações apontam que empresas eram contratadas com valores acima do mercado, o que abria espaço para desvio de dinheiro público. Parte desses recursos teria sido usada para enriquecimento pessoal e pagamento de agentes públicos responsáveis por fiscalizar os contratos.
A PF também identificou indícios de direcionamento nas contratações, simulação de concorrência e possível ligação entre dirigentes de organizações sociais e empresas contratadas.
Dinheiro da Covid-19
Outro foco da apuração envolve recursos destinados ao combate à Covid-19. A Operação Rio Vermelho investiga irregularidades na gestão de um hospital de campanha administrado por organização social.
Os números chamam atenção. No hospital de campanha gerido pela AGIR, quase metade dos contratos analisados apresentou problemas, com prejuízo estimado em R$ 17 milhões. Já no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia, administrado pelo IBGH, o valor investigado passa de R$ 21 milhões.
Ao todo, o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 38 milhões em recursos públicos desviados. Documentos apreendidos indicam até divisão de lucros entre envolvidos, apesar de as organizações sociais, por lei, não terem fins lucrativos.
Com a prisão do último alvo, todos os principais investigados estão sob custódia. O caso segue em investigação e deve avançar com análise de documentos e depoimentos.
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