Empresa ligada a entrada de arma, drogas e celulares no Iapen lidera licitação de R$ 42 milhões para fornecer alimentação em presídio; Portal NP revela quem é o atual dono

Um grande problema é que membros da empresa foram o centro de um dos maiores escândalos já registrados no sistema prisional do Amapá quando a empresa se chamava Cozinha Gourmet.

Ney Pantaleão
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Após a repercussão da reportagem publicada pelo Portal Ney Pantaleão e repercutida no Programa do Ney, na rádio Equatorial 94.5 FM, sobre o processo licitatório para fornecimento de alimentação ao sistema penitenciário do Amapá — atualmente liderado por empresa que teve veículo flagrado entrando com arma, drogas, celulares e outros ilícitos no Iapen — a equipe de jornalismo apresenta novos desdobramentos factuais do caso.

Uma empresa com um passado pesado pode voltar a fornecer alimentação para o sistema penitenciário do Amapá. A Servi Gastronomia Industrial é considerada a atual favorita em uma licitação de R$ 42,2 milhões da Secretaria de Compras do estado. O problema é que membros da empresa foram o centro de um dos maiores escândalos do sistema prisional amapaense quando se chamava Cozinha Gourmet.

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Investigação do MP, com apoio da PF, PP e PC, revelou a entrada de ilícitos para dentro da cadeia.

O histórico da empresa revela vem de algumas mudanças de nome. Ela já se chamou Tchê Churrascaria, Forte Nutri, Forte Food, A. C. Empreendimentos e, por fim, Cozinha Gourmet. Foi sob este último nome que o escândalo veio à tona. Em março de 2022, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Blindness.

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PF cumpriu mandados na cozinha onde eram feitas as refeições dos policiais penais, servidores do sistema penitenciário e presos.

Os investigadores descobriram que um dos veículos da empresa, que oficialmente entregava refeições na penitenciária, foi usado para facilitar a entrada ilegal de mais de 50 celulares, carregadores, chips de operadoras, grandes quantidades de drogas e até um revólver para dentro da cadeia.

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Cocaína, maconha, celulares, carregadores, chips de operadoras, munições, entre outros ilícitos iam para as mãos de criminosos.

O então proprietário, Cleyton dos Santos Amanajás, também foi preso após a PF revelar a intenção de oferecer comida especial e diferenciada, sem justificativa médica, para um empresário preso em uma operação que investigava o tráfico internacional de drogas tendo o Amapá como rota. O material, segundo a PF, chegaria às mãos de criminosos custodiados.

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Cleyton ficou apenas uma semana preso após o desembargador Mário Mazurek concedeu habeas corpus para a sua liberação.

SÓCIO CEDEU 100% COTAS
Após o escândalo, a Cozinha Gourmet saiu de cena, desapareceu e caiu no esquecimento. Mas não por muito tempo. A empresa simplesmente mudou de nome e de dono no papel. Em abril de 2025, Cleyton decidiu deixar a sociedade e cedeu 100% das cotas, avaliadas em R$ 9 milhões, para Robson Pacheco Pimentel, um jovem de 31 anos, praticamente desconhecido no meio empresarial que passou a administrar o negócio.

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Robson Pacheco Pimentel passou a deter 100% das cotas da empresa, após a cessão integral da participação societária feita por Cleyton dos Santos Amanajás.

A empresa foi rebatizada como Servi Gastronomia Industrial. Nesse intervalo, o contrato de fornecimento de refeições ao sistema penitenciário passou para a NutriMax Ltda., empresa que também acumula questionamentos e problemas de ordem sanitária.

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Nutri Max é alvo de denúncias sobre falta de higiene, condições sanitárias inadequadas na preparação das refeições fornecidas ao sistema prisional do estado, considerado um público de alta vulnerabilidade sanitária.

Robson Pimentel já morou em Macapá (AP), São Luís (MA) e Curitiba (PR) e é considerado um nome pouco conhecido no ramo. Nos bastidores, ele é apontado como pessoa de confiança de Cleyton Amanajás, que, após ser preso, teria se afastado formalmente da empresa e permanecido longe dos holofotes. A nova gestão passou a divulgar a empresa como “especialista em refeições em grande escala para empresas públicas e privadas”. Mais embaixo a reportagem conta um pouco sobre o que se sabe sobre o novo proprietário.

COZINHA SERVÍ PODE VOLTAR
Agora, essa “nova” empresa, administrada por Robson, mas suspeita de ainda ser controlada nos bastidores por Cleyton Amanajás, lidera o Pregão Eletrônico n.º 67/2025, conduzido pela secretaria de Compras e Licitações Sustentáveis do Amapá.

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A ordem classificatória para contratação de uma empresa para produzir e entregar toda a alimentação para presos e servidores do sistema prisional de Macapá, Oiapoque e Laranjal do Jari por um ano tem como destaque as três primeiras colocadas: Servi Gastronomia Industrial em 1º lugar, com a proposta de R$ 42,2 milhões. Em 2º lugar está a Cassarotti Foods, com R$ 42,89 milhões, e em 3º, a NutriMax, com R$ 48,41 milhões.

Com o menor preço, a empresa que já passou por diversas identidades e episódio policial volta a disputar um contrato milionário para alimentar presos e servidores públicos. Agora, cabe aos órgãos competentes avaliar se o passado recente e os personagens envolvidos pesam ou não na decisão final.

SOBRE ROBSON PACHECO PIMENTEL
Assim como Cleyton, o novo administrador também já esteve enrolado com a polícia. Em 2024, Robson foi preso em flagrante, conforme o Auto de Prisão em Flagrante nº 1075/2024 – Ciosp/Pacoval, após ser flagrado dirigindo bêbado em alta velocidade e na contramão. Com ele, os policiais encontraram droga, do tipo maconha, e 31 papéis de seda. Segundo o registro, Robson desobedeceu à ordem de parada e só foi interceptado três quadras depois. Ele negou a posse da droga, pagou fiança de R$ 500 e foi liberado.

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Robson foi preso em flagrante, mas negou ser dono ou estar na posse da droga apreendida no veículo que dirigia.

Em dezembro de 2024, o juiz Hauny Rodrigues Diniz homologou a suspensão condicional do processo, impondo regras como: proibição de frequentar bares e casas de festas após as 23h, restrição para se ausentar da comarca por mais de sete dias sem autorização judicial e comparecimento mensal em juízo para informar suas atividades e eventual mudança de endereço, pelo prazo de dois anos.

NOTA DO PORTAL
O espaço permanece aberto para manifestações das partes citadas ou eventualmente envolvidas. Caso ocorram, os posicionamentos serão integralmente incorporados a esta matéria, assegurando o direito ao contraditório, o equilíbrio da informação e o compromisso com os princípios do jornalismo responsável.

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