Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen

A antiga "Cozinha Gourmet", cujo dono e funcionários foram presos por favorecer presos e facilitar a entrada de drogas, celulares e até arma de fogo, agora se chama "Servi Gastronomia Industrial".

Ney Pantaleão
5 Min Read

Uma empresa que abastecia o sistema penitenciário do Amapá com refeições, mas que acabou flagrada levando drogas, celulares e uma arma de fogo para dentro do principal presídio de Macapá, está tentando uma volta disfarçada. A antiga Cozinha Gourmet, protagonista de um grande escândalo em 2022, simplesmente trocou de nome para Servi Gastronomia Industrial e agora busca novo contrato milionário com o Governo do Estado.

Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen
PF cumpriu mandados na cozinha onde eram feitas as refeições dos policiais penais, servidores do sistema penitenciário e presos.

A reportagem especial produzida pelos jornalistas do Portal Ney Pantaleão começa com um contrato lucrativo. Por anos, a Cozinha Gourmet foi a empresa responsável por preparar todas as refeições para os presos e servidores do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN). O serviço, no entanto, sempre foi alvo de queixas sobre a qualidade duvidosa da comida que era servida.

A situação explodiu em março de 2022, quando uma grande operação da Polícia Federal, denominada “Blindness”, desmontou um esquema criminoso que usava a rotina de entrega de alimentos para a prática de crimes. As investigações mostraram que o proprietário da empresa, Cleyton dos Santos Amanajás e a nutricionista Letícia Kenya Kemmer Staut Ferreira não estavam apenas cuidando das refeições.

Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen
PF cumpriu mandados dentro da penitenciária.

A PF também descobriu que a empresa facilitou a entrada de itens proibidos na penitenciária e de “alimentação especial”, diferenciada, a um detento preso em operação contra o tráfico internacional de drogas, sem qualquer justificativa médica. A conduta caracterizada como privilégio ilegal, conforme conversas extraídas de mensagens de WhatsApp, devidamente autorizadas por autorização judicial.

Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen
Conversas entre Cleyton Amanajás e a nutricionista Letícia Kemmer.

O resultado da operação foi considerado preocupante, pois dentro de uma caixa transportada pelo carro da empresa sob a supervisão de uma funcionária, os policiais encontraram vários quilos de maconha e cocaína, aproximadamente 50 aparelhos celulares, além de arma de fogo (revólver), munições, carregadores, chips de operadoras e fones de ouvido.

Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen
Cocaína, maconha, celulares, carregadores, chips de operadoras, munições, entre outros ilícitos iam para as mãos de criminosos.

A justiça concedeu a prisão preventiva do dono da empresa, da nutricionista, policiais penais e detentos envolvidos no esquema. Na visão da polícia, a empresa era uma peça fundamental para o crime organizado manter comunicação e controle sobre as facções de dentro das celas. Após o escândalo, a Cozinha Gourmet sumiu do radar.

Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen
Cleyton ficou apenas uma semana preso, pois um desembargador concedeu habeas corpus para a sua liberação.

Ou pelo menos, isso era o que parecia. Uma investigação do Portal NP revelou que a empresa não acabou. Ela apenas mudou de “roupagem”. Consultas realizadas junto a Junta Comercial e a Receita Federal mostram que o CNPJ é exatamente o mesmo. Houve alteração no nome fantasia, que passou de “Cozinha Gourmet” para “Servi Gastronomia Industrial” e também no quadro societário.

Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen

Um consultor jurídico ouvido pela equipe explicou que esse tipo de prática pode esconder irregularidades. “Quando há apenas mudança de nome, sem alteração real no controle da empresa, isso pode indicar tentativa de burlar restrições legais. Se os mesmos responsáveis continuam à frente, pode haver indícios de sucessão empresarial usada para driblar licitações”, afirmou.

Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen
Drogas apreendidas em operação conjunta da PF, GAECO/MP, GTP, PP, PC e demais forças de segurança.

O pior é que, com essa nova identidade, a empresa já estaria se movimentando para tentar retomar o contrato para fornecer alimentação para a penitenciária. A tentativa de retorno acontece justamente quando o governo estadual afirma estar em uma guerra contra o crime organizado e promete mais transparência.

Empresa que facilitou entrada de arma, celular e muita droga na penitenciária muda de nome e tenta voltar a fornecer refeições ao Iapen
Investigação do MP, com apoio da PF, PP e PC, revelou a entrada de ilícitos para dentro da cadeia.

O Portal NP tenta contato com a empresa para que se manifeste sobre o assunto. Caso haja retorno, esta reportagem será atualizada, assegurando o direito ao contraponto e o equilíbrio da informação jornalística.

Tem alguma notícia pra compartilhar? Envie no nosso WhatsApp clicando aqui ou ligue (96) 99123-0707.

Share This Article