Uma movimentação bancária atípica acionou os alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e desencadeou uma investigação da Polícia Federal que terminou com a prisão em flagrante de um empresário na quarta-feira (18), em Mazagão. Antônio Valmir Mendes de Almeida, conhecido como “Preto”, de 55 anos, foi monitorado e abordado após sacar R$ 200 mil em espécie numa agência da Caixa Econômica Federal no Centro de Macapá.

Os policiais federais receberam a informação do saque programado para às 13h45 e montaram campana no local. Assim que o empresário retirou o dinheiro e entrou numa toyota de cor prata, começou o monitoramento discreto por parte dos investigadores. O veículo passou por três pontos diferentes na capital antes de pegar a Rodovia AP-010 em direção a Mazagão.
No município vizinho, o carro entrou numa rua pouco movimentada. Foi o momento escolhido pela equipe para fazer a abordagem. Dentro do veículo, os agentes encontraram uma pistola taurus g2c, calibre .38, carregada com 13 munições, guardada no console central — sem coldre, sem case, pronta para uso. Junto com a arma, estava o dinheiro vivo.

“IA TREINAR TIRO”, MAS NÃO SOUBE DIZER ONDE
Antônio Valmir se identificou como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) há cerca de três anos. Aos policiais, afirmou que carregava a pistola porque iria treinar tiro mais tarde, mas não conseguiu informar o local do treinamento. Revelou ainda que contratou um motorista, João da Conceição de Souza Barbosa, por R$ 100, para dirigir o veículo — segundo ele, porque “dirige mal”.
QUEM É O HOMEM PRESO?
Antônio Valmir não é um desconhecido em Mazagão. É um empresário do ramo de obras e tem um contrato de cerca de R$ 1,1 milhão com a Prefeitura de Mazagão, administrada pelo prefeito Chico Nó. A obra em questão é a construção de uma praça no distrito de Maracá, que já está na fase final. Em depoimento à PF, ele explicou que o dinheiro sacado seria usado justamente para tocar essa obra. Segundo ele, a quantia pagaria fornecedores de grama sintética, materiais de construção e os salários dos funcionários. Justificou o uso do dinheiro vivo afirmando que não costuma fazer pix nem transferências bancárias para esse tipo de pagamento.

A versão é investigada pela PF, pois o valor expressivo em espécie, somado ao porte ilegal da arma (já que o certificado de CAC não autoriza o transporte de pistola carregada dessa forma), o levou à prisão em flagrante. Antônio “Preto” Valmir pagou fiança de R$ 6.500 e foi liberado, mas responderá ao processo por porte irregular de arma. O dinheiro apreendido e a pistola permanecem sob custódia da PF para aprofundamento das investigações.
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